Alimentos saudáveis em ambiente urbano: Iniciativas na Inglaterra, Alemanha e Brasil.
Feito por: Ana Serafim.
Há seis anos, os moradores de uma cidade do norte da
Inglaterra, Todmorden, criaram o programa Incredible Edible (Incrivelmente comestível),
que garante à população alimentos de graça e, além disso, une os moradores,
pois o programa é uma horta urbana.
Começou com alguns moradores plantando em frente a suas
casas e depois expandiu para espaços públicos. Hoje, qualquer pessoa pode pegar
os alimentos, entre eles: cenoura, cebola, flores comestíveis e rúcula. As
hortas são mantidas por aproximadamente 300 voluntários que ajudam no 1º e 3º
domingo de cada mês, se comprometendo a não faltar.
Os visitantes pagam para conhecer os locais plantados, o
dinheiro é destinado a escolas e aos produtos na manutenção das hortas. Mudaram-se
os hábitos, os moradores começaram a se preocupar com a origem dos alimentos,
melhorando a produção local. De acordo com pesquisas, metade dos comerciantes
da cidade aumentaram suas vendas desde a criação do projeto. O Incredible
Edible foi adotado em outras cidades da Inglaterra e em outros países.
“Encontre um lugar sujo, horrível e triste na sua cidade e
faça com que fique bonito, porque os humanos amam beleza”, dica para replicar o
projeto segundo Mary, uma das iniciantes e organizadoras do projeto.
Há também outro projeto na cidade de Todmorden, que visa
fornecer conhecimento para incentivar os jovens a criar novos pequenos negócios
na agricultura, de modo sustentável.
Na fazenda que ensina os jovens não há energia elétrica, o
sistema de irrigação é através de uma bomba de barco, reaproveitando água da
chuva. A venda é local, ajudando a divulgar o projeto e incentivando o consumo
de alimentos orgânicos.
Em Berlim (Alemanha) há o Jardim das princesas, um espaço
público para plantar e experimentar produtos orgânicos. Começou com um terreno
baldio e depois de uma movimentação pública alguns voluntários começaram a
plantar e cuidar, transformando em uma horta comunitária a fim de ter controle
do que se planta e como se planta. Entre os produtos estão alecrim, milho,
repolho e cenoura que são plantados pelos visitantes e os mesmos podem se
alimentar com os produtos.
Os visitantes buscam conhecer pessoas, ter contato com a
natureza e compartilhar ideias. Uma frequentadora grega acredita que participar
da horta comunitária é um ato político, para mostrar que há alternativas de
ocupar espaços vazios nas cidades. A Alemanha é a maior consumidora de produtos
orgânicos da União Europeia.
O Brasil é conhecido pela agricultura de exportação porém,
os produtos consumidos nas residências vêm principalmente da agricultura
familiar.
No Rio de Janeiro há famílias que praticam agricultura no
espaço urbano. Segundo o IBGE na região metropolitana do Rio de Janeiro há 19
municípios, entre eles 12 milhões de pessoas, sendo que há 04 mil famílias de
agricultores dentro do espaço urbano. Poucos buscam reconhecimento do PRONAF (Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar) que permite o mercado direto. Algumas escolas
compram esses produtos para incentivar aos alunos uma economia local e orgânica.
Dicas de como plantar em pouco espaço:
Confira algumas plantas com raízes curtas, ideais para vasos:
- cebolinha
- salsa
- coentro
- alface
- pimentão
- tomate-cereja
- morango
- couve-folha
- rúcula
- alecrim
- sálvia
- orégano
- manjericão
- calêndula
* Passo-a-passo de como se constrói um vaso
do Marcelo Noronha, agrônomo orgânico:
- Importante ter no mínimo 4 a 5 horas de sol
por dia.
- Pode plantar: orégano, manjerona, salsinha,
cebolinha, cebolete.
- Precisam de mais profundidade: manjericão,
alecrim.
- O cultivo no chão é melhor que o cultivo
nos vasos, porque o vaso muitas vezes só tem um furo e isso trava a drenagem,
causando problemas de fungos.
- Dica da cultura popular: colocar uma
telha côncava dentro do vaso para fazer uma casinha e não entupir com
argila expandida que é a primeira camada que a gente usa. Pode usar pedrinha
também, mas a dica é usar a argila que, além de mais leve, drena melhor a água.
- A manta de bidim ou
a areia de construção vem em seguida e elas impedem que a terra desça e saia
pelo buraquinho.
- Em seguida, vem a primeira camada de terra
adubada.
- Depois, a dica é misturar
um pouquinho de areia ou substrato, que é uma terra solta que
ajuda a penetração da água.
- Por fim, é só acomodar a muda e colocar uma
complemento de terra pra deixar mais certinho
- Marcelo dá mais uma dica de mestre: não deixar a terra
em contato com chuva e sol. O melhor é fazer uma camada bem
fininha da “cobertura morta”, que pode ser de casca de pinus ou pedrinhas.
- Mas os cuidados não param por aí. Depois de 30 dias,
a dica é fazer uma adubação de cobertura, colocando uma mão pequena de terra no
entorno da mudinha.
- Jardineiras como salsinha, cebolinha,
coentro, tomilho, orégano não precisam de profundidade, então pode-se colocar
duas espécies por jardineira. Salsinha e cebolinha combinam bem. Salsinha com coentro,
tomilho com manjerona e tomilho com orégano.Atenção: hortelã deve ser plantada
sempre sozinha, porque a raiz é muito agressiva, domina o espaço e abafa a
outra.
- Prefere o horário da manhã para regar. Pode
também regar no fim do dia. Dias muito quentes, deve-se regar duas vezes. Dias muito frios, às vezes
só duas ou três vezes por semana. Varia muito.
* Plantas folhosas como couve, alface e
rúcula conseguem se desenvolver com facilidade.
* Os tubérculos não são recomendados por
causa da limitação na profundidade dos canteiros.
* Entre uma planta e outra é preciso
deixar 15 cm.
* A rega deve ser diária, e a adubação, a
cada um ou dois meses, com fertilizantes naturais ou húmus de minhoca. No
tratamento de pragas, também use apenas inseticidas naturais.